Resenha

100 Dias de Felicidade – Fausto Brizzi

 

100 Dias de Felicidade
Fausto Brizzi
Suma das Letras, 2014
312 páginas

“Não tenho nenhum feito ou mérito para ser lembrado na posteridade. Para justificar uma placa de mármore em um edifício. Uma placa diante da qual alguém passe e diga: ‘Vou ver rapidinho na Wikipédia quem era esse Battistini!’ Ainda assim, tenho uma mulher e dois filhos que amo, amigos maravilhosos, um time de garotos que dariam a vida por mim. Cometi alguns erros, farei outros ainda, mas também participei da festa. Eu também estava lá. Em um canto, talvez; eu não era o aniversariante, mas estava lá. A única tristeza foi ter que descobrir que vou morrer para começar a viver.” Esta é a história de Lucio Battistini, apaixonado pelo time de polo aquático que treina e pela família: a mulher e os dois filhos pequenos. É a história de como ele viveu os últimos 100 dias de vida com o “amigo Fritz”. E de como, contra todas as probabilidades, aqueles foram os melhores dias de toda a sua vida.”


Imagine se você tivesse apenas 100 dias de vida! O que faria com eles? Lutaria para sobreviver ou faria as maiores loucuras que sempre sonhou? Essa é a decisão com a qual Lucio Battistini tem que lidar! É a história de como ele viveu os últimos 100 dias de vida com o “amigo Fritz”. E de como, contra todas as probabilidades, aqueles foram os melhores dias de toda a sua vida.

A narrativa começa com Lucio Battistini já nos avisando que ele tem um tumor, o qual apelidou de “Fritz”. Voltando a antes da descoberta de sua doença, ele nos conta como conheceu sua linda esposa Paola, como tiverem dois filhos lindos e como conseguiu ser imbecil o suficiente para trai-la sem motivos! Aí criamos uma relação de amor e ódio com a personagem. Paola não o perdoa ao saber da traição e eu muito menos, se em algum minuto a esposa devota pensou ” Me traiu? Que morra então…” a vontade foi atendida rapidamente.

Lucio é apaixonado por polo aquático e é professor em uma academia, um cara comum, italiano, que levava a vida na esportiva, de repente se vê no olho do furacão. Ele cometeu alguns erros e vai cometer outros, como bem detalhou na sinopse acima, mas o interessante é como ele nos mostra como escolheu viver os melhores 100 dias do resto de sua vida.

” Cem dias. Não pensei nisso. Ninguém nunca pensa nisso. O que você faria se tivesse exatamente cem dias de vida?”

Assim que comecei o livro, imaginei que ele seria diferente de tudo que até hoje já havia lido e fui realmente surpreendida! Primeiramente que a história se passa na Itália e traz alguns detalhes dos costumes e da culinária desse país tão fantástico que tenho vontade de conhecer.

Além disso, Lucio é apaixonado por inventores e costuma atribuir o protótipo ou as ideias iniciais de toda e qualquer invenção a Leonardo da Vinci. Esse ponto parece um detalhe bobo, mas garante boas risadas durante a leitura. Me surpreendi com uma história bem real, super bem escrita, com questões familiares importantes e muito humor.

Lucio narra sua história de forma mais descontraída possível. O cara é mestre em ser engraçado. O livro, por mais que fale da morte, é cheio de vida. A nossa introdução na vida de Lucio é rápida, simples, tão leve que você se sente parte da história. E temos capítulos que Lucio quer que você seja parte da história. Ele deixa páginas para você, leitor, se expressar. 🙂

“A lista pode ser infinita, cada um de nós já viveu milhares de últimas vezes sem saber. Aliás, o bom da brincadeira é justamente isso. Não saber. Mas se, como no meu caso, você sabe muito bem quais são as últimas vezes, as regras de repente, mudam. Tudo ganha um peso e uma importância diferentes.”

Durante o livro, Lucio batalha para reconquistar Paola, cenas que são extremamente fofas e de cortar o coração! Lucio quer passar o máximo de tempo possível perto dos filhos, Lorenzo e Eva. Essas crianças são umas preciosidades. Impossível não ama-las. As cenas delas com Lucio são super tocantes. Chorei em várias. Mesmo contendo partes que te tiram risadas, ao mesmo tempo te roubam lágrimas por ser tão emocionantes. Você fica pensando nelas, sabe?! Pequeninas criancinhas que vão crescer sem seu pai por perto. E Lucio faz você sentir isso. Ele te passa exatamente isso através de sua narração. Os momentos que ele irá perder ao lado dos filhos!

Os momentos de Lucio ao lado dos amigos, Conrado, Umberto e seu sogro Oscar, são extremamente divertidos. Tem uma cena pra lá de boa onde Lucio procura uma maneira de contar a Conrado e Umberto que está morrendo. É uma das melhores cenas!

E por mais que saibamos que o fim de Lucio é eminente, lá no fundo torcemos para que isso não aconteça. Para que ele possa ver seus filhos crescerem. Para que ele envelheça ao lado de sua adorada esposa, Paola. Para que ele coma mais rosquinhas feitas na confeitaria de seu sogro. Para que ele saia mais com os amigos nos divertindo com essas cenas. Para que ele… para que ele…Poxa, para que ele viva.

No entanto, temos que lidar com a realidade, as pessoas vivem e morrem. Ás vezes morrem cedo demais, o que é de cortar o coração. E Fausto Brizzi traz essa realidade para dentro de seu livro. Ele não cria ficção. Ele cria uma história real em que momentos de alegrias vão acontecer, mas os de tristezas também…

Minhas Impressões

100 Dias de Felicidade é um livro agridoce. Vida e morte. Alegrias e tristezas. Perdas e ganhos. Dor e Amor. Tudo junto e misturado num livro de capa perfeita e com conteúdo ímpar. Este é um livro que te leva a pensar na vida. No amanhã. Que em um momento você está aqui e no outro… puft! Ele te leva a pensar em como viver melhor sua vida. Repensar seus conceitos e definições. Repensar suas ações. Palavras. Atitudes… Tantos aprendizados que nem consigo listar todos.

Peço que leiam. Sei que não é um livro para todos, por ser um pouco reflexivo e nem sempre alegre, porém é lindo demais, daqueles livros que acrescentam alguma coisa na vida do leitor. Nunca tinha lido nada de algum escritor italiano e me apaixonei por Fausto. Tenho que procurar conhecer escritores de outras culturas. Ver formas diferentes de escritas. Estamos tão acostumados com escritores americanos que nos esquecemos que o mundo é vasto e existem milhares de escritores esperando serem descobertos.

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