Devaneios: 3 desejos
De acordo com nosso querido wikipedia:
Devaneio ou sonhar acordado é o desprendimento das próprias imediações de um indivíduo, durante o qual seu contato com a realidade é difuso e parcialmente substituído por uma fantasia visionária.
E isso é algo que tem sido bem frequente comigo! Muitas vezes, apenas caminhando na rua começo a pensar em coisas tão absurdas que dariam ótimos textos e posts aqui no blog, então decidi começar a passar para o papel os devaneios mais interessantes e saber se existem mais pessoas que compartilham desse “sentimento” comigo (me digam que não sou a única a divagar dessa forma! haha).
O devaneio dessa semana é na verdade da semana passada. Enquanto fazia minha lição de inglês, uma das perguntas era “If you had three wishes, what would they be?” e eu fiquei pensando bastante nisso e fantasiando possibilidades. Abaixo minhas escolhas:
1. I wish I could travel back in time to know the most famous historical figures and personalities
Viagem no tempo é um assunto muito extenso e, pelo menos para mim, um assunto muito gostoso de discutir. Por conta disso, é que gosto de filmes e séries que tratam dessa temática, das consequências de viajar no tempo e das possibilidades de mudar as coisas para melhores ou piores.
Se eu pudesse viajar no tempo, com certeza gostaria de conhecer algumas personalidades históricas, seria incrivelmente fantástico ver que aquelas pessoas que só conhecemos pelos livros e pelas aulas de história existiram mesmo sabe? Imagine conversar com Leonardo da Vinci ou ver ele pintando a monalisa? Conhecer Van Gogh?
São tantas possibilidades, tantas pessoas, culturas e conhecimento que iriamos poder adquirir com essas viagens, mas existe também aquela questão “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, o que é bem verdade. Não se pode brincar com viagem no tempo (Doctor Who mostra bem isso).
Em teoria tudo isso é possível. Mas mesmo os físicos não acreditam muito nessas histórias. A razão? Em princípio, para viajar rumo ao passado seria preciso ultrapassar a velocidade da luz (como o herói Flash faz). E uma das conclusões da Teoria da Relatividade é a de que nada pode viajar mais rápido que a luz. Isso porque conforme você vai acelerando, sua massa aumenta, e é preciso mais energia para continuar acelerando. Ao atingir a velocidade da luz, sua massa tenderia ao infinito, e você precisaria de energia infinita para ultrapassar a barreira, o que, convenhamos, é praticamente impossível. Ah mas como você explica a luz? Meu amigo, a luz só consegue viajar a essa velocidade porque as partículas de que ela é composta, os fótons, não possuem massa, então não precisam se preocupar com sua massa tendendo ao infinito.
Esse seria o ponto final dessa conversa, não fosse uma das outras possibilidades malucas criadas pela Teoria da Relatividade. Segundo as equações, seria possível criar “buracos de minhoca” que serviriam de atalho entre regiões diferentes do espaço, espécies de portais que ligam regiões distantes no Universo.
No entanto, existem diversos paradoxos temporais que aterrorizam os cientistas. Por isso eles preferem acreditar que algo na natureza “proíbe” as viagens ao passado – um “princípio de proteção cronológica”, como diz Stephen Hawking.
2. I wish I could know all the languages of the world and be able to teach them
Nós vivemos em um estágio da humanidade em que a comunicação e a informação passaram a ser fontes de produção de riquezas, temática que é tratada pelo autor futurista Alvin Toffler. O autor chama essa Sociedade da Informação de A Terceira Onda.
Eu toquei nesse ponto, pois o mundo globalizando em que vivemos exige de nós o conhecimento de outras línguas, o que, como todos sabem, não é nada fácil de aprender, principalmente quando não se tem a oportunidade de praticar. Seria fantástico saber todas as línguas e ser capaz de ensiná-las! Eu poderia viajar para qualquer lugar e ter o prazer de conhecer novas culturas com o conhecimento do novo idioma.
Aprofundando um pouco mais no assunto a gente consegue refletir sobre o fato de a língua constituir um código que integra as relações humanas e que, ao mesmo tempo em que sofre modificações, participa das mudanças nas sociedades. Esse patrimônio social é responsável pela possibilidade de se preservar o conhecimento e de transmiti-lo a outras gerações no correr do tempo.
É por meio da linguagem que as sociedades perpetuam suas histórias escritas. Sem a linguagem o mundo seria um imenso vazio. Ir viajar para um país sabendo falar a língua nativa é algo que enriquece muito suas experiências nesse país, pois além dos passeios tradicionais você pode também se arriscar em roteiros mais diferenciados.
3. The abilitt to learn, retain and apply any knowledge learned through any media source I touch
Esse desejo, eu acredito que ele seja algo complicado e muito, mas muito perigoso. O perigo em ser alguém de muito conhecimento e inteligência é aprender a lidar com nosso ego interno. Nós, seres humanos, temos o “dom” natural de deixar o poder subir nas nossas cabeças e de nos acharmos superiores. Imagine ser capaz de aprender TUDO a partir de qualquer mídia? Seria como ter poderes ilimitados, conhecimento ilimitado.
Por um lado, seria incrível ter um grupo de pessoas com esses poderes que pudessem ensinar o que aprenderem para crianças e adultos, porém, após aprenderem tudo, estariam essas pessoas dispostas a compartilhar esse conhecimento? Ou elas iriam retê-lo a fim de formar uma hierarquia do saber? Confesso, que essa última possibilidade me assusta bastante e já me leva a imaginar sociedades distópicas como a apresentada por Ray Bradbury no seu livro Fahrenheit 451.
O livro reflete sobre uma distopia em que o conhecimento é considerado algo perigoso. Qualquer um que é pego lendo livros é, no mínimo, confinado em um hospício. Quanto aos livros, são considerados ilegais e, uma vez encontrados na posse de alguém, são queimados pelos “bombeiros”. O protagonista, Guy Montag, é um bombeiro que, seguindo a profissão de seu pai e de seu avô, tem certeza de que seu trabalho (queimar livros e a casa que os abrigam, bem como perseguir as pessoas que os detêm) – é a coisa mais certa a fazer.
No entanto, uma noite, voltando de seu trabalho, ele encontra sua nova vizinha, Clarisse McClellan, cujo livre-pensamento e espírito questionador o estimula a reconsiderar seu próprio estilo de vida, seus ideais, e sua noção de felicidade. Mais tarde Montag se recorda de um homem que encontrou uma vez: Faber, um professor de inglê, o qual começa a lhe ensinar sobre a importância dos livros e do esforço da literatura em tentar conseguir racionalizar a existência humana.
O romance é frequentemente interpretado como sendo uma crítica à censura patrocinada pelo estado, mas Bradbury contestou essa interpretação. Ele disse em 2007, em uma entrevista, que o livro explora os efeitos da televisão e da mídia em massa na aprendizagem da literatura.
Ainda na versão em brochura, lançada em 1979, Bradbury escreveu:
“Há mais de um jeito de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas por aí com caixa de fósforos.
O post fico mais longo do que eu imaginava, mas espero que tenham gostado! Assuntos de diferentes temáticas foram tratados e eu acho que é um formato de texto bem interessante haha E vocês, também têm devaneios assim?

2 Comentários
Stéfhanie
De seus devaneios, o meu predileto seria viajar no tempo.. Tem muitas pessoas que gostaria de sentar, bater um papo e enfim. Como você disse, imagine que incrível conversar com Leonardo da Vinci? Jane Austen.. Só de pensar ♥♥♥
Incrível post, incrível blog!
Bieijo
Adrilaine Cezimbra
Nossa que post demais. Amei ler sobre teus devaneios Carla, principalmente pelas suas colocações super bem escritas. Amo ler posts de gente inteligente. Aproveitando a deixa, te indiquei uma tag no blog, e acho que você iria gostar de responder as perguntinhas que deixei, se quiser ve e responder <3
Beijão, http://www.desapegaadri.com